o resto da distância,
sem memória
não há vida.
não há vida.
Já não oiço
os meus passos,
o que me rodeia
esconde-se.
Avanço às cegas, um cão pardo
ao frio. Deve ser aqui,
aqui me despeço do meu eu
e lentamente me transformo em
ninguém.
San Luis, novembro de 2019
Hofgut Missen, abril de 2020
Cees Nooteboom
(tradução Ana Maria Carvalho)