Já só me falta o cancro ou o enfarte. Tudo o mais vivi,sofri, perdi, e vim dar a este lugar que nunca pensei,esta estrada larga que vai dar a nada. Isto que escrevo é verdade, mas apenas em parte. Falta-me quanto passou ao lado ou de tão próximo não avistei. Faltas-me tu que não conheço e solitário percorres a mesma estrada. É para ti que me preparo. Para ti que não me salvarás. Para ti que morres nos mesmos gestos que não te salvam. São as tuas mãos vazias que as minhas,vazias, procuram. As tuas mãos que talvez não venha a encontrar.
Lutar para perder, Jorge Roque
(edição Língua Morta)